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Tem que continuar! A vitoriosa Greve geral do dia 28/04 e a necessidade de uma nova greve de 48h

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Resumo do balanço da Greve Geral do dia 28 de abril de 2017 aprovado pela Executiva do Sintsep-Pa no dia 02 de Maio de 2017.

1) 28/04 - UM DIA HISTÓRICO

Pela primeira vez, desde 1989, foi realizada uma greve geral.  Este 28 de abril de 2017 foi um dia histórico, contando com 40 milhões de trabalhadores paralisando atividades e realizando de atos em 274 cidades. Sabe-se que, somente no setor de comércio, o prejuízo financeiro para as empresas foi de R$ 5 bilhões. 

 

A greve contra a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista e contra a retirada de direitos atingiu todas as capitais do país além de diversas cidades médias. Contou com a adesão de servidores públicos das três esferas e diversos trabalhadores de empresas públicas e da iniciativa privada como metroviários, rodoviários, portuários, aeroviários, bancários, petroleiros, metalúrgicos, professores da rede privada de ensino. Também contou com a adesão de trabalhadores autônomos e trabalhadores rurais dentre outros, além de contar com o apoio de entidades estudantis, partidos políticos, movimentos sociais, dioceses da igreja católica, igrejas evangélicas e OAB. Os trabalhadores dos correios desde o dia 26/04 entraram em greve por tempo indeterminado.

De acordo com as Centrais tivemos: 60 mil pessoas em SP (no Largo do Batata), 40 mil no RJ (em meio a repressão), 30 mil em Belém, 50 mil em POA, 30 mil em Natal, 20 mil em Florianópolis, 150 mil em BH e 150 mil em Recife, só para citar algumas. Houve piquetes durante toda a madrugada e bloqueio de estradas e rodovias em todo o país, a exemplo do que ocorreu durante algumas horas na Ponte Rio-Niterói.

Como resultado político, a greve do dia 28 mostrou que é possível derrotar as contrarreformas previdenciária e trabalhista e derrubar o governo Temer/Maia, pois apenas 4% da população apoia o governo e 2% é favorável à reforma da previdência, de acordo com o Vox Populi.

 

2) REPRESSÃO POLICIAL E O SILENCIAMENTO DA GRANDE MÍDIA 

Em alguns lugares a repressão foi brutal. no Rio de Janeiro a Polícia Militar dispersou o ato pacifico que percorria as ruas da cidade, e em Goiânia um estudante foi gravemente ferido por um PM com um cassetete. Em são Paulo houve prisão de diversos militantes do MTST. Enquanto a polícia tratava de reprimir, os grandes jornais tratavam de invisibilizar ou de ressaltar somente o “vandalismo” das manifestação. Tudo isso a serviço de blindar o impopular governo Temer e suas Reformas. Mas diante da grandiosidade da greve, a imprensa logo teve que ceder: de forma positiva ou negativa, foi inevitável reconhecer a existência da greve. No mesmo dia, o SBT já fazia uma transmissão ao vivo falando de como a avaliação interna que o governo tinha dos atos era diferente do que se tinha publicizado.

Em editorial de 29/04, o reacionário Estadão diz: “A título de defender os direitos desses mesmos trabalhadores, os sindicalistas cassaram-lhes o elementar direito de trabalhar, por meio da paralisação dos transportes”. Por sua vez o governo Temer resume a greve a “pequenos grupos que bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir”. Duas ideias absurdas já que ignoram que os transportes não funcionaram por conta da greve e seu impacto é produto do movimento. Já os bloqueios não explicam o esvaziamento das cidades. 

 

3) O SINTSEP-PA NA GREVE GERAL

Logo após o dia 15 de Março, agitamos a necessidade de uma greve geral e por tempo indeterminado, algo que não teve eco no conjunto do movimento sindical. A partir do chamado para greve geral, com quase um mês de antecedência, nos jogamos a construí-la por meio das assembleias de base, eleição de pequenos comandos de mobilização em cada órgão de trabalho, produção de material de propagando e agitação.

Ao todo foram 40 assembleias em todo o Estado do Pará que reuniram mais de 500 servidores.. Em todas as assembleias contamos com número expressivo de pessoas e a adesão à greve foi votada ou por unanimidade ou por ampla maioria. Em Belém, a maior parte dos órgãos optou por ir direto ao ato. Em outros houve piquetes  no portão dos órgãos.

Tanto em Belém como nas regionais (a exemplo de Santarém), demos uma importante batalha com os demais sindicatos e centrais sindicais pela realização de frequentes reuniões de Frentes e Plenárias de base para debater a greve geral, como a que ocorreu em Belém no dia 24/04 que juntou quase cem pessoas no Sintepp - sindicato dos professores.

Nas regionais houve atos e paralisações em Santarém (sete mil pessoas), Marabá, Altamira, Tucuruí, Itaituba, Redenção, Capanema, Bragança, Breves e Cametá e conceição do Araguaia.

Quantos aos possíveis cortes de ponto ou retaliação aos participantes da greve, nossa assessoria jurídica priorizará sua atuação na prevenção às retaliações aos servidores que pararam no dia 28, por meio de recursos administrativos contra o corte de ponto previsto no Recurso Extraordinário do STF.

Em breve realizaremos em Belém e nas Regionais reuniões com os comandos de greve e/ou delegados da base do Sintsep-Pa para avaliar a greve em cada local e discutir a continuidade da greve além de definir um novo calendário de assembleias de base para a construção de nova greve geral e da marcha à Brasília.

 

4) É NECESSÁRIO DAR CONTINUIDADE: POR UMA NOVA GREVE GERAL DE 48 HORAS!

A demora de um mês e meio entre os atos do dia 15  de março e a greve geral nos custou a aprovação da Lei das terceirizações e a votação, em primeiro turno, da Reforma Trabalhista. Isso deve servir de aprendizado e nos conduzir para uma mobilização permanente até a derrota definitiva das reformas.

O Senado expõe uma fratura com o governo e Renan diz que lá a Reforma trabalhista não passará. Temer já fala em adiar a votação da Reforma da Previdência no Plenário da Câmara. Mas nada disso é garantia e nem não afasta o fato de  que o mercado, desesperado, quer atuar com pressa para aprovar as reformas. Por outro lado também é preocupante as sinalizações de récuo de algumas Centrais. A Força Sindical fala em negociar “melhorias” na Reforma, e a CUT falar em “negociar com o Senado”, o que nos preocupa.  A Greve deixa-nos como lição a imensa vontade de luta expressada pela classe trabalhadora, na qual devemos investir todos os nossos esforços para o melhor aproveitamento. Não há como confiar em negociações no Congresso Nacional cheio de corruptos.

Nossa confiança tem de ser em nossa mobilização, na greve geral, combinada com a ocupação de Brasília.

Por isso, propomos:

1)Que  as centrais sindicais concretizem sua proposta de greve geral de 48h, que pode estar combinada com uma marcha nacional a Brasília;

2) Que a Fenadsef/Condsef convoque serviço público federal à greve geral contra as Reformas, combinando com a pauta por reajuste salarial, já que o governo sinalizou que não haverá nem negociações, nem reajuste em 2018;

3) Que as centrais, a exemplo do que já fez a  CSP CONLUTAS, devem encampar uma campanha contra o Imposto sindical.

4) Que as centrais convoquem  Plenárias municipais e estaduais de base  para debater a construção da nova greve geral, a exemplo da Plenária do dia 24/04 ocorrida em Belém; 

Foto: Camila Lima /Portal Cultura